O meu feriado reservou acontecimentos bastante imprevisíveis. Foi tão bom que queria ter durado mais tempo. Falando jornalisticamente, teria sido um bom cenário de pautas. De três diferentes histórias, sob diferentes pontos de vista, relatando diferentes situações vividas. Em diferentes publicações. Algumas onde poderia publicar.
Revista Gula
Onde comer e almoçar bem num domingo de chuva no Rio
Porque domingo choveu e, mesmo assim, fizemos um programete bacana que incluiu comer coisas tipo queijo coalho com melado, pastéis de couve com bacon e milk shake de açaí.
Viagem e Turismo
No Rio, vá onde cariocas vão
Embora seja essencial visitar algumas coisas turísticas quando se vai a algum lugar, não sou muito fã deste tipo de programação. Como já fiz programas assim nas outras vezes em que estive no Rio, tivemos tempo para algo mais caseiro e roots. Ter um nativo querido por perto - no caso, uma família inteira de queridos - te faz ter uma impressão diferente de um lugar. Neste caso, uma impressão ainda mais legal.
Veja Rio
Os impactos da lei seca na cidade
Fode um pouco a noite porque, né? Se tu tomar dois goles de qualquer coisa, o etilômetro (guardinha Roberta nos explicou o nome correto do bafômetro) acusa. Helô-ou. Lei Seca no Rio é ‘O’ erro. Uma cidade que tem Rocinha e Vidigal deveria ficar mais atenta em controlar a violência e o tráfico, e não ficar atrás de gente de bem, que paga imposto. Viu? Já estou pronto para ser carioca. Só falta fazer uma passeata na praia de Ipanema pedindo a paz.
Nova
Dez dicas infalíveis de chantagear um guarda usando seu par de pernas
A personagem que ilustra a matéria é a biscate que, quase pelada, assediava um guarda para que ele não a multasse. Foi pega dirigindo alcoolizada. Parte do plano não deu certo porque eles acabaram retendo a carteira e o carro. Mas que ela conseguiu uma carona pra casa, ah conseguiu. Não sei como precisou agradecer por isso depois.
Saúde
Resfriado: não deixe ele te derrubar
Descubra como se divertir mesmo de nariz entupido. Os milagres de uma bala de gengibre. As boaventuras que trazem o sol. E os efeitos de uma cachaça de banana sobre o ceu cérebro com dor.
Vida Simples
Como levar a vida numa boa
Um peixe que você come, uma areia que você bota embaixo dos seus pés, umas risadas que você dá e um sol que você pega são suficientes para viver. Ninguém aqui precisa de muito mais do que isso. Coloque a mão na consciência e questione sua vida yuppie, de trabalho árduo. Questine o dinheiro que você gasta com coisas supérfluas. Questionou? Chegou à conclusão de que seria melhor largar tudo e viver na praia? De agricultura de subsistência? Muito bem. Agora volte ao seu trabalho e deixe de besteiras.

Contigo I
Vergonha alheia nos telejornais
Sábado à noite encontramos na balada um apresentador (que eu não vou dizer quem é). Estava rolando uma apresentação legal de um grupo de samba de raíz e galera estava super dançando e super sambando e super fazendo coreografias em grupo – eu adoro coreografias coletivas. Todo mundo agora acionando o modo vergonha alheia comigo. Vamos lá? “On!” O tal jornalista encheu tanto o cotovelo de trago que chegou ao ponto de: subir no palco cambaleando, pedir o microfone ao vocalista e cantar duas músicas. Que ninguém dançou. E cuja letra ninguém sabia. E sem palmas no final.
Contigo II
Traição nos telejornais
Cena Um: ainda durante a balada vimos esse mesmo apresentador (não teime, NÃO VOU DIZER QUEM É) tentando dar uns malhos numa moçoila não exatamtente bonita e, o que é mais importante, não exatamente sua esposa. Cena dois: corta para horas e horas depois, já altas madrugadas, em um outro canto da cidade, em outro contexto, onde paramos para comer algo. Com quem cruzamos? Com o dito cujo de novo, comprando algo na padaria (oi? camisinhas não são vendidas em padaria?). Vá procurar uma farmácia e deixe as pessoas de bem comerem sanduíches em paz (mais uma passeata para organizar: pela família e pelos direitos dos cidadãos de bem). Quem vai escrever um e-mail anônimo para a mulher dele explicando a situação? Eu fiz minha parte contando o que eu vi.
Revista Realidade (um ar "vintage" na listinha)
O pais à beira de um novo caos aéreo
Podíamos relatar a saga de três repórteres na ponte aérea, cada um embarcado num voo diferente.
Camis: duas horas e meia voando do Rio para São Paulo, numa viagem que demora 40 minutos. Com aeroportos fechados, não sobrou lugar para pousar e o avião deu aqueles sobrevoos intermináveis em círculo. Chance de desastre: 30%. Ah, sim: dentro de uma zona de turbulência. Chance de desastre: 50%. E tendo que pousar em Congonhas. Chance de desastre: 70%. E, detalhe: com chuva. Chance de desastre: ei, você soube da tragédia?
Mi: sobrevivente de lost. Cinco horas presa numa aeronave. Três horas esperando decolar do Rio. Uma esperando autorização para estacionar em São Paulo. Uma voando. Teve vontade de pular no pescoço de pessoas prevenidas que levaram comida. As vantagens de você ser farofeiro nesta vida: um sanduíche de presunto que você joga na sua mala de mão cai super bem em situações imprevistas, como essa.
Caco: a palhaçada comigo foi a mais sem explicação lógica desta vida. Chamaram para embarque com uma hora de atraso. Colocaram a gente naqueles ônibus que te levam para um avião estacionado no meio da pista. Fizeram a gente esperar meia hora neste ônibus parado no meio da pista, ao lado do avião. Não abriram as portas pra gente descer e embarcar. E depois de meia hora o busão deu meia volta e retornamos ao saguão. Embarcamos somente uma hora depois. Alegaram que fazia muito vento. Muito vento. Tanto vento que era arriscado que a escadinha do avião saísse voando. Tu percebe que mora no país da piada pronta quando a única coisa que sai voando de um aeroporto é uma escada.
Folha de S. Paulo
O dia em que São Paulo parou
Cheguei em Sampa três horas da tarde. E fez-se o caos novamente. A cidade ficou num breu, como se fosse noite e, em seguida, caíram açudes de água. Eu, lógico, com toda a sorte que existe neste mundo do meu lado, estava dentro do táxi, sendo levado a remo pra Globo. Duas horas e meia depois, o motorista ainda estava NO MEIO DO CAMINHO. Sorte a minha que no meio do caminho não tinha uma pedra, mas a minha casa e um chefe muito compreensivo que disse que era melhor desencanar de lutar contra a natura. Então com as bênçãos de chéfis, peguei minha mochila com dignidade, paguei a fortuna que me cabia pagar ao taxista balseiro, saltei fora, e fui pra casa. Eram seis horas da tarde de terça-feira.
Meu feriado, por força maior, acabou sendo prolongado, como eu queria. Mas não do jeito que eu queria.