Esta semana o Dudu me mandou um meme sobre “O que você gostaria de ser”. Achei divertida a brincadeira de pensar sobre isso. Mas como a pergunta é über ampla, foquei minhas respostas em profissões. Pois ei-las.
Eu queria ser (pasme)...
... neurocientista
Quando fui a Natal fazer uma matéria sobre um laboratório de neurociência, fiquei pasmo. conheci uns neurocientistas super interessantes que passam a vida estudando cérebro de macacos e ratos. É muito do caralho: fios, ratos, monitores. E os macacos, claro. Que são umas figuras.
... engenheiro civil
Gosto da ideia de pisar em terrenos que são puro barro e, ali, projetar vigas, construir paredes, botar telhados e, enfim, erguer. Construir. Tornar um lugar que era terreno plano em uma obra erguida para o alto, imponente. Deve ser algo quase como uma extensão do teu pênis.
... maquinista
Pois é. Quando fui perfilar o presidente de uma ferrovia, tive a absoluta certeza de que o meu lugar mesmo, na vida, é ser maquinista de trem. Peãozão mesmo, com apitos, capacete e coisa e tals. Tu não precisa pensar... só andar nos trilhos. O inconveniente é que a cabine do trem é um pouco claustrofóbica demais.
... cozinheiro na Toscana
Cozinheiro porque gosto de agradar pelo estômago. E na Toscana porque é o meu lugar favorito no mundo. Mas SÓ na Tocana. Outro lugar não vale. E, lógico que de um restaurante teria de ser MEU.
... agente da CIA
ou agente de qualquer coisa que tivesse como ícone um brasão e que me permitisse, diariamente, andar por um corredor e-Lorme, encarpetado, com passos firmes, e ter mil secretárias ao meu redor perguntando coisas e eu despachando. Andando e despachando. Como em filmes. Adoro resolver problemas.
Friday, July 17
Thursday, July 16
My precious
Caminhávamos pela rua no domingo de tarde. Fazia frio, mas tinha sol, que é a combinação mais perfeita de clima. Falávamos trivialidades e andávamos entre as gentes em direção a nossa padaria favorita quando eu disse que, sim, que eu ainda gosto de ti. Mas é de um jeito tão único, tão diferente e tão especial que precisei inaugurar uma gaveta no armário onde a gente guarda os sentimentos. É lá que te coloquei. Porque você não cabia em nenhum outro lugar. É um gostar casto, mas ao mesmo tempo um gostar íntimo, construído ao longo dos anos, quando nosso gostar não era assim tão casto. É um gostar tão tranqüilo, tão leve e tão aconchegante quanto caminhar por essas tardes de domingo de frio e sol.
Sunday, July 12
Meu finde no sul
Eu fui pra Porto Alegre praticamente dentro de uma nuvem. De chuva, né. Cumulus nimbus. Toda a turbulência que um avião pode ter em uma hora de voo, o meu teve. Eu sou altamente influenciável por tragédias de comoção coletiva e, depois do Air France, não entro mais em Airbus sossegado. Mesmo com as mandingas power que eu tenho: SEMPRE bato duas vezes no lado direito do avião quando eu entro pela porta e SEMPRE decolo com os dois pés alinhavados ao chão, de modo a formarem uma paralela perfeita. Foi isso (e somente isso) que garantiu os aviões que eu ando jamais caírem na decolagem, com toda certeza. Mas não dá pra você ter uma mandinga durante todo o tempo de voo, porque a neurose seria demais. Então quando começam as turbulências não há muito a se fazer a não ser imitar as mulheres do século 18 fazendo sexo: ficar quietinho, fechar os olhos e rezar para que termine logo.
***
Demorei até chegar a este veredito, mas tendo em conta que já passei por diversos estabelecimentos em diversas cidades do país, agora é definitivo: a Casa do Pão de Queijo tem, que ironia, O PIOR pão de queijo da face da terra. Lógico que ninguém espera encontrar vovós mineiras misturando polvilho e ralando queijo para prepará-los. Mas, caralho, até a alça da minha mochila tem mais gosto de pão de queijo do que os da Casa do Pão de Queijo. Não comam lá NUNCA, crianças. Caco não recomenda.
***
Com dois graus debaixo da bunda poucas pessoas têm coragem de sair de noite. Mas como minhas idas para o Sul são cada vez mais escassas, eu e meus amigos de faculdade fomos aquecer os corações num lugar chamado Ferrovia, cujos drinques têm nomes relacionados a trens. Pedimos duas Locomotivas Loucas e pedi à bartender, que virou minha best de infância, caprichar na tequila. "Dobrei a dose pra ti", ela me pisca. Quando vimos, estávamos no segundo andar da boate, entrando de gaiato numa festa de aniversário Xis, de alguém Xis, com um segurança Xis pedindo pra gente parar de dançar em cima das cadeiras. Que lugar de dançar é no chão. E foi o que fizemos até bem umas cinco da manhã. Nada como uma festeenha entre amigos para esquecer que você está no Polo Norte.
***
Demorei até chegar a este veredito, mas tendo em conta que já passei por diversos estabelecimentos em diversas cidades do país, agora é definitivo: a Casa do Pão de Queijo tem, que ironia, O PIOR pão de queijo da face da terra. Lógico que ninguém espera encontrar vovós mineiras misturando polvilho e ralando queijo para prepará-los. Mas, caralho, até a alça da minha mochila tem mais gosto de pão de queijo do que os da Casa do Pão de Queijo. Não comam lá NUNCA, crianças. Caco não recomenda.
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Com dois graus debaixo da bunda poucas pessoas têm coragem de sair de noite. Mas como minhas idas para o Sul são cada vez mais escassas, eu e meus amigos de faculdade fomos aquecer os corações num lugar chamado Ferrovia, cujos drinques têm nomes relacionados a trens. Pedimos duas Locomotivas Loucas e pedi à bartender, que virou minha best de infância, caprichar na tequila. "Dobrei a dose pra ti", ela me pisca. Quando vimos, estávamos no segundo andar da boate, entrando de gaiato numa festa de aniversário Xis, de alguém Xis, com um segurança Xis pedindo pra gente parar de dançar em cima das cadeiras. Que lugar de dançar é no chão. E foi o que fizemos até bem umas cinco da manhã. Nada como uma festeenha entre amigos para esquecer que você está no Polo Norte.
Friday, July 10
Recepção "calorosa"
Minha mãe foi me buscar e me encontrou batendo os dentes de frio.
- Caralho, mãe, que frio é esse, hein?
- Nem me fale. Mas você teve sorte. Hoje está mais quentinho do que ontem.
Eram três da tarde. E os termômetros marcavam SEIS graus.
Thursday, July 9
Gimme a break
Queria agradecer e pedir um minuto de silêncio pelos paulistas que, em 1932, pegaram na baioneta (ui!) e lutaram pela revolução constitucionalista. Uma beleza, né, essa revolução. Porque além de conseguir uma... ahm... constituição para nós tudo, também garante a quem vive em São Paulo um feriado nos 09 de julho. É a revolução Farroupilha deles. Só que sem alardes, sem comemorações e, definitivamente sem bandeiras e hinos (peça para qualquer paulista cantar o hino do estado para ver que cara de espanto você vai receber).
Tuesday, July 7
What lies beneath
Você está por dentro do absurdo que está acontecendo no Irã? Que as pessoas, tipo, não têm acesso à internet? Que 82% dos emails foram bloqueados? Que as conexões à rede são controladas por um filtro? Que os celulares não podem mandar mensagem para fora do país?
Para quem vive num país democrático isso soa como um absurdo. Mas não é uma exceção. Na China, se você digitar no Google “Massacre da paz celestial”, ao invés de receber as páginas que te informam sobre o episódio horrendo ocorrido nos anos 80, você recebe um aviso de “busca não encontrada”.
A questão é a seguinte. Como você acha que esses países “controlam” o tráfego de informações? Seria engraçado imaginar que o governo chinês bota uns guardinhas na porta dos servidores de banda larga. Ou pensar nos aiatolás colocando BomBril nas antenas de celular para interromper o fluxo de informação. Mas não. Para fazer esses filtros é necessário o desenvolvimento de tecnologia sofisticadíssima. E quem faz isso? É o Google. É a Nokia. É a Cisco, cara. Essas empresas que vendem a imagem de serem irreverentes, pós-modernas, descoladas e conectadas.
Eu fico puto da vida. Fico puto com os governos, obviamente, mas ainda mais puto com essas empresas que por milhões de dólares topam esse tipo de putaria. Porque o discursinho delas é sempre “Ui, ui, queremos conectar o mundo”. “Ai, ai, vamos dar portabilidade para todos”. “Nhé, nhé, nhé vamos vender celulares a zero dólar na África, olha como somos legais”. Como cubro negócios, ouço essa conversinha o tempo todo. Que hipocrisia! Porque vem qualquer governo ditatorial ou teocrático oferecendo milhões de dólares por um pacotão de censura e esse discurso se revela uma patacoada.
Que desonesto vender a imagem daquilo que não se é. Empresas vendem uma imagem para se posicionar num mercado, para serem desejadas, para serem amadas por seus consumidores. Mas o seu objetivo final, não esqueçamos nunca, é lucar. Seja conectando as pessoas com o mundo – ou desconectando-as dele.
Para quem vive num país democrático isso soa como um absurdo. Mas não é uma exceção. Na China, se você digitar no Google “Massacre da paz celestial”, ao invés de receber as páginas que te informam sobre o episódio horrendo ocorrido nos anos 80, você recebe um aviso de “busca não encontrada”.
A questão é a seguinte. Como você acha que esses países “controlam” o tráfego de informações? Seria engraçado imaginar que o governo chinês bota uns guardinhas na porta dos servidores de banda larga. Ou pensar nos aiatolás colocando BomBril nas antenas de celular para interromper o fluxo de informação. Mas não. Para fazer esses filtros é necessário o desenvolvimento de tecnologia sofisticadíssima. E quem faz isso? É o Google. É a Nokia. É a Cisco, cara. Essas empresas que vendem a imagem de serem irreverentes, pós-modernas, descoladas e conectadas.
Eu fico puto da vida. Fico puto com os governos, obviamente, mas ainda mais puto com essas empresas que por milhões de dólares topam esse tipo de putaria. Porque o discursinho delas é sempre “Ui, ui, queremos conectar o mundo”. “Ai, ai, vamos dar portabilidade para todos”. “Nhé, nhé, nhé vamos vender celulares a zero dólar na África, olha como somos legais”. Como cubro negócios, ouço essa conversinha o tempo todo. Que hipocrisia! Porque vem qualquer governo ditatorial ou teocrático oferecendo milhões de dólares por um pacotão de censura e esse discurso se revela uma patacoada.
Que desonesto vender a imagem daquilo que não se é. Empresas vendem uma imagem para se posicionar num mercado, para serem desejadas, para serem amadas por seus consumidores. Mas o seu objetivo final, não esqueçamos nunca, é lucar. Seja conectando as pessoas com o mundo – ou desconectando-as dele.
Monday, July 6
Sobre aquilo que a gente guarda
- Eu quero te mostrar uma coisa - ela me avisa.
Foi até a bolsa. De lá tirou um guardanapo onde estavam escritas algumas frases em caneta azul. Logo reconheci minha letra. Abaixo do pequeno texto, assinei: "Caco, janeiro de 2003". Há seis anos ela carrega esse pedaço de papel dentro da carteira. Tentou várias vezes jogá-lo fora, mas não consegue se desfazer dele. Eu lembro bem o dia, o lugar e a circunstância em que o escrevi.
Acho que isso diz alguma coisa sobre criar laços e significar algo na vida de alguém.
Foi até a bolsa. De lá tirou um guardanapo onde estavam escritas algumas frases em caneta azul. Logo reconheci minha letra. Abaixo do pequeno texto, assinei: "Caco, janeiro de 2003". Há seis anos ela carrega esse pedaço de papel dentro da carteira. Tentou várias vezes jogá-lo fora, mas não consegue se desfazer dele. Eu lembro bem o dia, o lugar e a circunstância em que o escrevi.
Acho que isso diz alguma coisa sobre criar laços e significar algo na vida de alguém.
Wednesday, July 1
Marinheiro de primeira viagem
A pessoa acorda para trabalhar e encontra o seguinte bilhete pendurado na geladeira: “Caco, tô indo pra a Espanha. Aquela entrevista que eu tava tentando rolou. Cuida da Kate. Beijos, Ju”.
Olho pra baixo. Gata Kate está aos meus pés, me encarando e não entendendo nada do que estava acontecendo. "Como assim? Cadê as pessoas?", ela parecia perguntar. Sábado ela já tinha sofrido com a partida da Beta, que saiu de férias. Quando apareceu o táxi para levá-la ao aeroporto, a Gata só faltou pular dentro das malas pra ir junto. Mas apenas disse tchau com a pata.
Com a viagem da Ju a casa ficou vazia de uma hora pra outra. E eu não sabia como explicar para a Gata que as gurias saíram temporariamente, mas que elas voltarão. Ficamos nós dois. Eu olhando pra ela. Ela olhando pra mim. E eu apavorado porque pela primeira vez a Gata ficou sob os meus – e somente meus – cuidados. E agora? Um ser humano sob minha responsabilidade! (aquele que confunde tudo e acha que gente e bicho é tudo a mesma coisa)
O que eu faço? Água? Dou água? Comida? Troco a fralda dela?! Mas ela nem tem fraldas, for christ's sake. Brincar. É isso. Peguei uma fita e comecei a correr pela sala pra gata pegar. Quando ela deu sinais de se cansar da fita, amassei um pedaço de papel, fiz uma bola e comecei a jogar futebol com ela. Isso eram dez da manhã, né? Eu brincando com uma gata, pense você.
Quando ela cansou, eu corri pro chuveiro e me arrumei para ir trabalhar. Depois botei comida e enchi o pode de água para ela estar guarnecida. Aí comecei com neuras. Mas e se ela morrer de tanto comer? Ou de tanto tomar água? Se precisar ir para algum cômodo da casa e a porta não estiver aberta? E se ficar presa em alguma coisa? Muito medo de voltar e encontrar a gata pendurada na parede, dura de eletrocutada.
Pois à noite cheguei em casa ao surtos e encontrei Gata Kate dormindo sossegada num de seus lugares favoritos: sob as teclas do meu notebook (todo mundo em coro comigo: ohhhhhhh). Isso foi só o primeiro dia. Mas acho que depois que tu passa pelo choque de marinheiro de primeira viagem, acaba tirando tudo de letra. Agora é só eu aprender onde fica a creche mais perto de casa e já estou pronto para ser pai.
Monday, June 29
Notas do finde
Sair de balada sem tomar Engov é “O” erro.
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Ju e eu passamos o domingo andando pela casa de moletom, tomando vinho. O único momento em que eu botei uma roupa decente foi para ir ao supermercado. Para comprar mais vinho.
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Da pira com Milena eu só tenho a dizer o seguinte. Quase pensei que ia morrer, literalmente, de tanto rir. Eu não dava conta de rir tanto quanto eu tinha dentro de mim. Então ficava com muito riso querendo extravasar. E quase fiquei com privação de ar.
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- Você é canhoto?
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Ju e eu passamos o domingo andando pela casa de moletom, tomando vinho. O único momento em que eu botei uma roupa decente foi para ir ao supermercado. Para comprar mais vinho.
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Da pira com Milena eu só tenho a dizer o seguinte. Quase pensei que ia morrer, literalmente, de tanto rir. Eu não dava conta de rir tanto quanto eu tinha dentro de mim. Então ficava com muito riso querendo extravasar. E quase fiquei com privação de ar.
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- Você é canhoto?
- Não. Sou ambidestro. Na verdade, sou ambidestro somente com lápis e giz de cera. Com caneta, sou somente destro. Tá vendo como é difícil minha vida?
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Não enterraram ainda a Farrah Fawcett? Li hoje que estão escolhendo onde vai ser seu velório. Falasério. Mesmo depois de morta a mulher continua dando pinta com seu "corpinho" por aí.
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Não enterraram ainda a Farrah Fawcett? Li hoje que estão escolhendo onde vai ser seu velório. Falasério. Mesmo depois de morta a mulher continua dando pinta com seu "corpinho" por aí.
Friday, June 26
A morte do anão de circo
Não entendo esse exagero em torno em torno da morte do Michael Jackson. “A música de luto”. “O mundo perde o ícone pop”. Como assim? Michael Jackson, o cantor, já estava morto há muito tempo. O que existia nos últimos anos era apenas a figura excêntrica, bizarra e andrógena que ele criou de si mesmo desde que trocou de cor (começa aí, né, porque, oi?, alguém mais no mundo trocou de cor?). Desde então, a fama de Michael não foi sustentada por seu talento, mas somente – e tão somente – pelo grotesco que ele se tornou. Era praticamente uma versão atual das aberrações de circo.
Há dez anos MJ não criava absolutamente nada de bom. Vivia de direitos autorais e daquilo que previamente, quando negro, havia feito. Ficava recluso naquela mansão surreal chamada Neverland (uma versão pomposa de uma jaula de circo). Nas eventuais vezes em que saía na rua, era com máscaras. Foi acusado de molestar crianças e, embora tenha sido absolvido, o caso sempre despertou dúvidas. Aliás, qualquer coisa nele tinha motivo de dúvida, como aqueles seus filhos. Eles nasceram como? Por combustão? Eram esses os assuntos que há muito tempo circundavam o astro. Não a sua música.
Então agora ele morre e as pessoas surtaram geral porque “perdemos o maior ícone da música”. As vendas de seus CDs esgotaram em pouco tempo. O Twitter recebeu recordes de entradas. O Google teve uma pane de tanta procura. Todos os cantores estão dando seu depoimento (aspas da Madonna que me fizeram rir: “Não consigo parar de chorar”. Alguém consegue imaginar Madonna chorando?).
Há dez anos MJ não criava absolutamente nada de bom. Vivia de direitos autorais e daquilo que previamente, quando negro, havia feito. Ficava recluso naquela mansão surreal chamada Neverland (uma versão pomposa de uma jaula de circo). Nas eventuais vezes em que saía na rua, era com máscaras. Foi acusado de molestar crianças e, embora tenha sido absolvido, o caso sempre despertou dúvidas. Aliás, qualquer coisa nele tinha motivo de dúvida, como aqueles seus filhos. Eles nasceram como? Por combustão? Eram esses os assuntos que há muito tempo circundavam o astro. Não a sua música.
Então agora ele morre e as pessoas surtaram geral porque “perdemos o maior ícone da música”. As vendas de seus CDs esgotaram em pouco tempo. O Twitter recebeu recordes de entradas. O Google teve uma pane de tanta procura. Todos os cantores estão dando seu depoimento (aspas da Madonna que me fizeram rir: “Não consigo parar de chorar”. Alguém consegue imaginar Madonna chorando?).
Sabemos que todo mundo em algum momento ouviu suas músicas e tentou fazer o moonwalk porque Michael foi ícone, sim. Vendeu mais álbuns do que a puta que pariu. Foi mais conhecido do que o cacete. Mas há muito tempo Michael Jackson não existia mais. Então, sem comoções pra cima de mim. O mundo da música não perdeu nada que já não tivesse perdido há muito tempo. E o grande público, se perder alguma coisa, será a diversão que causavam as excentricidades do mais famoso monstrengo de circo da história.
Wednesday, June 24
Para o mundo que eu quero descer
Então assim: para entrar no clima São João, os professores da cadimía estão indo dar aulas com chapéu de palha esta semana.
Tá?
Quando eu digo que vivo numa sitcom ninguém acredita.
Tá?
Quando eu digo que vivo numa sitcom ninguém acredita.
Por qué no te callas, Caco?
Hoje eu fui entrevistar um estilista e empresário americano que está no Brasil.
Enquanto esperava o tempo de minha entrevista, bati um papo com a mulher dele. Ela é uma americana legal, simpática e muito boa gente e que - ok - tem uma mancha no canto do rosto, sobre as quais nasceram algumas verrugas. Depois de terminarmos o papo, durante o qual ela conversou com inglês perfeito, e com leve sotaque do Brooklin, me afastei uns 50 metros dela, que ficou numa cadeira sentada.
Meu fotógrafo veio perguntar se a mulher do nosso entrevistado tinha vindo também.
- Veio, sim - respondi. Tu quer fotografar?
- Quero - ele me diz. Onde ela está?
Então lhe respondi em alto e bom português (tudo o que eu falo sempre é alto embora nem sempre bom):
- É essa mulher ali sentada. Ela tem umas verrugas murchas no canto do rosto que parecem um caroço de pêssego.
Click, click, click. Foi lá e fez as fotos.
Quando fui fazer a entrevista, perguntei ao estilista coisas sobre Brasil. No que ele responde:
- Tenho uma ligação especial com o país porque minha mulher é peruana e morou um tempo no Brasil. Aliás, diferente de mim, ela entende e fala português.
Tipo, será que é preciso ter que nível de fluência na língua para entender "verrugas murchas" e "caroço de pêssego"? Grau TOEFL? Queria saber só para eu ter uma noção de quantos dias devo ficar escondido dentro de casa, morrendo de vergonha.
Enquanto esperava o tempo de minha entrevista, bati um papo com a mulher dele. Ela é uma americana legal, simpática e muito boa gente e que - ok - tem uma mancha no canto do rosto, sobre as quais nasceram algumas verrugas. Depois de terminarmos o papo, durante o qual ela conversou com inglês perfeito, e com leve sotaque do Brooklin, me afastei uns 50 metros dela, que ficou numa cadeira sentada.
Meu fotógrafo veio perguntar se a mulher do nosso entrevistado tinha vindo também.
- Veio, sim - respondi. Tu quer fotografar?
- Quero - ele me diz. Onde ela está?
Então lhe respondi em alto e bom português (tudo o que eu falo sempre é alto embora nem sempre bom):
- É essa mulher ali sentada. Ela tem umas verrugas murchas no canto do rosto que parecem um caroço de pêssego.
Click, click, click. Foi lá e fez as fotos.
Quando fui fazer a entrevista, perguntei ao estilista coisas sobre Brasil. No que ele responde:
- Tenho uma ligação especial com o país porque minha mulher é peruana e morou um tempo no Brasil. Aliás, diferente de mim, ela entende e fala português.
Tipo, será que é preciso ter que nível de fluência na língua para entender "verrugas murchas" e "caroço de pêssego"? Grau TOEFL? Queria saber só para eu ter uma noção de quantos dias devo ficar escondido dentro de casa, morrendo de vergonha.
Monday, June 22
TOCs bizarros compartilhados
- Se você está escrevendo no MSN e, com a frase já iniciada, recebe uma pergunta do teu interlocutor, você apaga o que estava escrevendo para responder a pergunta imediatamente?
- É. Eu sou destes. Mas apago e deixo a primeira letra digitada para não parecer que eu estava escrevendo e apaguei.
- Eu também.
- Por isso somos amigos.
- É. Eu sou destes. Mas apago e deixo a primeira letra digitada para não parecer que eu estava escrevendo e apaguei.
- Eu também.
- Por isso somos amigos.
Thursday, June 18
O diploma e o jornalista
Não é mais preciso ser formado numa faculdade de jornalismo para trabalhar como jornalista. Ontem, essa obrigatoriedade foi extinta. Sou formado em jornalismo, tenho MTb, trabalho em veículo de comunicação e pensei muito até chegar a uma conclusão sobre o assunto. Não tinha uma opinião formada até esta tarde. Agora eu tenho: sou a favor de tirar essa obrigatoriedade, embora não concorde com os termos em que ela tenha sido tirada (comparando a profissão à de um cozinheiro). Mas, enfim. Acho que é correto tirar a obrigatoriedade. Minhas argumentações:
Primeiro ponto: faculdade de jornalismo não ensina ninguém a apurar, a escrever, a cultivar fontes e DEFINITIVAMENTE não te ensina a trabalhar na imprensa. Por que não existe um modelo fixo. Existem veículos de comunicação e cada um tem seu modo de operar muito específico. Segui-las vai depender da prática – que, por sua vez, não tem nada a ver com frequentar ou não uma faculdade de jornalismo.
Segundo ponto: as faculdades aproveitam a obrigatoriedade para manter cursos patéticos, fracos e obsoletos. Lembro da minha faculdade – que não é uma das piores, diga-se – e de alguns professores de quem eu tinha vergonha alheia por estarem na sala de aula. Leyla. Alguém aí já teve aula de rádio com alguém chamado Leyla? No dia que tiver, a gente conversa de novo sobre obrigatoriedade do diploma. Ela é desses tipos que só entra em sala de aula para falar bobagem – e falá-las em português errado. Uma vassoura fazendo as vezes de professora teria sido mais proveitoso. Professores assim - que não são exceção - certamente não me ajudaram a ser um profissional melhor.
Terceiro ponto: não acho que jornalistas não devam ser formados. Devem, sim. Em história, em antropologia, em economia, em direito. Até em jornalismo, para quem quiser, afinal, a lei não extingue o curso (apenas torna-o facultativo). Pessoas com formação diferente podem trazer um ar novo às redações, "desviciar" o ar. Nós, jornalistas de diploma, somos formados de maneira meio pasteurizada: lemos as mesmas coisas, vamos para os mesmos lugares, frequentamos os mesmos espaços, ouvimos as mesmas coisas. Deixamos, assim, de captar outros cenários, conviver com outras perspectivas. Nossa produção e nosso olho para a notícia acaba sendo o mesmo.
Quarto ponto: ouço muitos amigos falando que, ok, agora qualquer um pode ser jornalista. Oi? Calma lá, né? Em primeiro lugar: não vamos falar como se gente sem diploma e analfabeta estivesse fazendo fila na porta das redações, morrendo de vontade de ser jornalista. Não funciona assim. Helo-ôu! Qual é o advogado ou o economista que vai querer ralar o rabo durante 15 horas em uma redação para ganhar o piso?? Não vai. E qualquer jornalista que tenha passado por isso sabe que a profissão exige muita tenacidade e resiliência para não largá-la imediatamente. Em segundo lugar: não creio que as redações vão receber uma leva de gente que mal sabe escrever só para pagar salários menores. Os critérios de seleção vão seguir os mesmos: gente que apura, tem bom senso, sabe escrever e distinguir fatos. É isso o que as redações buscam e devem continuar buscando. As decentes, né? Porque o dono do jornal de Rincão dos Kreuff vai continuar fazendo o que sempre fez: buscar qualquer pessoa que escreva minimamente bem e assinando como administrador na sua carteira de trabalho.
Quinto ponto: sou a favor de que se difundam cursos de especialização em jornalismo mais do que cursos de graduação. Deu certo nos Estados Unidos e em países da Europa, onde a profissão não exige diploma. Acho válido. Porque, vamos combinar? Tive professores incríveis na faculdade: Paulo, Branca, Biba, Cida (e aqui acaba a lista). Ao todo umas quinze disciplinas foram realmente importantes, me ensinaram a pensar e refletir, discernir melhor e, sim, escrever com coerência. Quinze disciplinas. Um ano e meio. E ponto. Uma especialização teria dado conta do recado.
Bom, é isso. Eu sou contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
Não, eu não tenho vontade de jogar fora meu diploma. Não acho que perdemos nosso tempo. Não me arrependo de ter escolhido a profissão que escolhi e gostei muito de ter feito a faculdade que fiz. Mas não acho que as pessoas tenham que passar necessariamente por essa formação para ser um bom jornalista.
Primeiro ponto: faculdade de jornalismo não ensina ninguém a apurar, a escrever, a cultivar fontes e DEFINITIVAMENTE não te ensina a trabalhar na imprensa. Por que não existe um modelo fixo. Existem veículos de comunicação e cada um tem seu modo de operar muito específico. Segui-las vai depender da prática – que, por sua vez, não tem nada a ver com frequentar ou não uma faculdade de jornalismo.
Segundo ponto: as faculdades aproveitam a obrigatoriedade para manter cursos patéticos, fracos e obsoletos. Lembro da minha faculdade – que não é uma das piores, diga-se – e de alguns professores de quem eu tinha vergonha alheia por estarem na sala de aula. Leyla. Alguém aí já teve aula de rádio com alguém chamado Leyla? No dia que tiver, a gente conversa de novo sobre obrigatoriedade do diploma. Ela é desses tipos que só entra em sala de aula para falar bobagem – e falá-las em português errado. Uma vassoura fazendo as vezes de professora teria sido mais proveitoso. Professores assim - que não são exceção - certamente não me ajudaram a ser um profissional melhor.
Terceiro ponto: não acho que jornalistas não devam ser formados. Devem, sim. Em história, em antropologia, em economia, em direito. Até em jornalismo, para quem quiser, afinal, a lei não extingue o curso (apenas torna-o facultativo). Pessoas com formação diferente podem trazer um ar novo às redações, "desviciar" o ar. Nós, jornalistas de diploma, somos formados de maneira meio pasteurizada: lemos as mesmas coisas, vamos para os mesmos lugares, frequentamos os mesmos espaços, ouvimos as mesmas coisas. Deixamos, assim, de captar outros cenários, conviver com outras perspectivas. Nossa produção e nosso olho para a notícia acaba sendo o mesmo.
Quarto ponto: ouço muitos amigos falando que, ok, agora qualquer um pode ser jornalista. Oi? Calma lá, né? Em primeiro lugar: não vamos falar como se gente sem diploma e analfabeta estivesse fazendo fila na porta das redações, morrendo de vontade de ser jornalista. Não funciona assim. Helo-ôu! Qual é o advogado ou o economista que vai querer ralar o rabo durante 15 horas em uma redação para ganhar o piso?? Não vai. E qualquer jornalista que tenha passado por isso sabe que a profissão exige muita tenacidade e resiliência para não largá-la imediatamente. Em segundo lugar: não creio que as redações vão receber uma leva de gente que mal sabe escrever só para pagar salários menores. Os critérios de seleção vão seguir os mesmos: gente que apura, tem bom senso, sabe escrever e distinguir fatos. É isso o que as redações buscam e devem continuar buscando. As decentes, né? Porque o dono do jornal de Rincão dos Kreuff vai continuar fazendo o que sempre fez: buscar qualquer pessoa que escreva minimamente bem e assinando como administrador na sua carteira de trabalho.
Quinto ponto: sou a favor de que se difundam cursos de especialização em jornalismo mais do que cursos de graduação. Deu certo nos Estados Unidos e em países da Europa, onde a profissão não exige diploma. Acho válido. Porque, vamos combinar? Tive professores incríveis na faculdade: Paulo, Branca, Biba, Cida (e aqui acaba a lista). Ao todo umas quinze disciplinas foram realmente importantes, me ensinaram a pensar e refletir, discernir melhor e, sim, escrever com coerência. Quinze disciplinas. Um ano e meio. E ponto. Uma especialização teria dado conta do recado.
Bom, é isso. Eu sou contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
Não, eu não tenho vontade de jogar fora meu diploma. Não acho que perdemos nosso tempo. Não me arrependo de ter escolhido a profissão que escolhi e gostei muito de ter feito a faculdade que fiz. Mas não acho que as pessoas tenham que passar necessariamente por essa formação para ser um bom jornalista.
Wednesday, June 17
Gadgets

Sabe o que eu ganhei hoje?
Um Ploc-Ploc.
É, eu também nunca tinha ouvido falar. Mas, traduzindo em miúdos, é um chaveirinho igual a este da foto, com uma versão high-tech do plástico bolha. São oito botõezinhos de plástico que você aperta e eles emitem um som de estouro de bolha de plástico.
Achei a ideia muito digna. Mas a moda não vai pegar, fala sério. Não é a mesma coisa do que estourar o velho plástico bolha – nem em termos de tato nem em termos de barulho. Mas se caso tu te interessar, o site deles vende o chaveirote. Por 30 reales você compra o “plástico bolha infinito”, segundo eles mesmos se vendem (adoro hipérboles) e ainda ganha uma conta para participar da comunidade dos ‘ploqueiros’. Tem mania pra tudo nessa vida.
Um Ploc-Ploc.
É, eu também nunca tinha ouvido falar. Mas, traduzindo em miúdos, é um chaveirinho igual a este da foto, com uma versão high-tech do plástico bolha. São oito botõezinhos de plástico que você aperta e eles emitem um som de estouro de bolha de plástico.
Achei a ideia muito digna. Mas a moda não vai pegar, fala sério. Não é a mesma coisa do que estourar o velho plástico bolha – nem em termos de tato nem em termos de barulho. Mas se caso tu te interessar, o site deles vende o chaveirote. Por 30 reales você compra o “plástico bolha infinito”, segundo eles mesmos se vendem (adoro hipérboles) e ainda ganha uma conta para participar da comunidade dos ‘ploqueiros’. Tem mania pra tudo nessa vida.
Friday, June 12
Love comes with strange currencies
- Por que você faz assim? Tem sempre um quê de mistério, deixa as coisas no ar, não responde o que eu pergunto ... isso me enlouquece.
- Por que eu sou assim e ponto. É meu jeito e não vou mudar. E tu, hein? Com essa teimosia e essa ansiedade que dá vontade de te surrar!
- Sou assim. E também não vou mudar.
- Pois é. Somos bem diferentes.
- Pelo contrário. Somos iguais.
- Iguais? Como assim?
- Tanto eu quanto você agimos da mesma forma: cada um à sua maneira. E não cedemos.
Então rimos. Não tinha visto por este lado. Fico com vontade de dizer o quanto você é incrível por sempre trazer às situações perspectivas e leituras diferentes das minhas. Mas não digo. Te abraço apenas. E sei que sabes o que sinto, mesmo que nem sempre diga, my funny Valentine.
- Por que eu sou assim e ponto. É meu jeito e não vou mudar. E tu, hein? Com essa teimosia e essa ansiedade que dá vontade de te surrar!
- Sou assim. E também não vou mudar.
- Pois é. Somos bem diferentes.
- Pelo contrário. Somos iguais.
- Iguais? Como assim?
- Tanto eu quanto você agimos da mesma forma: cada um à sua maneira. E não cedemos.
Então rimos. Não tinha visto por este lado. Fico com vontade de dizer o quanto você é incrível por sempre trazer às situações perspectivas e leituras diferentes das minhas. Mas não digo. Te abraço apenas. E sei que sabes o que sinto, mesmo que nem sempre diga, my funny Valentine.
Tuesday, June 9
Por fora
Obsoletei. Lindamente obsoletei.
Não sei mexer nas novas tecnologias. E o que é pior: não sei mexer e ainda por cima reluto em aprender a mexer.
Vamos começar assim: não estou no twitter. Aliás, detesto o nome twitter (me vem a imagem de alguém batendo dedos nervosos sobre uma mesa). Depois: não faço idéia de como organizar meus sites favoritos no de.li.ci.ou.s. Outro dia tive que apagar os endereços de internet do computador antigo e o que eu fiz? Copiei e colei TODOS os endereços numa página de Word (tem algo mais obsoleto do que página de Word?) Me tomou uma boa meia hora. Era o único jeito que eu sabia fazer.
Além disso, tenho pavor de atualizações. A todo o momento um programa pede para ser atualizado, caráleo. Cada mês, tchê? Precisa atualizar Cada-Santo-Mês? Sinto uma alegria mórbida quando vem uma mensagem do tipo: você deseja iniciar a atualização do programa X? Eu clico na opção: “não estou interessado”. Qual o problema do antigo? O Adobe é campeão dessas coisas. Odeio o Adobe também, aliás. Mais por demorar para abrir do que por não saber mexer – coisa que, tirando o abrir e salvar, também não sei fazer.
E tem outra (aquele que não para mais de praguejar contra a internet). Comunidade. Odeio comunidade. Me arrepio ao ouvir falar em comunidade. Tudo agora é comunidade, cacete?! Agora que fecharam a Last FM, um site de música que eu passava o dia inteiro ouvindo, tentei achar um substituto. E todos os outros sites de rádio possuem interfaces bizarras perguntando se tu quer dividir tuas escolhas com outros membros da ‘comunidade’, se tu quer ouvir o que os outros membros da 'comunidade' estão ouvindo. Que comunidade? Helo-ou!? Comunidade de cu é rola.
Sim, é claro que eu tenho MSN, tenho orkut e tenho e-mail. Mas a página inicial do Hotmail já anda se assanhando – esses veio com uma lista de nomes de pessoas tinham mudado a foto do perfil. E eu perguntei? E eu quero saber que foto meus amigos estão usando no MSN? Não sendo pornô, tá valendo – afinal, preciso abri-lo no meu trabalho. Tentei entrar no Facebook há alguns meses e achei um horror de difícil. Me confudi inteiramente sobre como funciona, tive preguiça de ler instruções, então fechei a janela e nunca mais voltei.
Em resumo: me fodi. Daqui a cinco anos, só conseguirei me comunicar com pássaros e quadrúpedes – que, como eu, serão os únicos a não saber dominar as tecnologias.
Não sei mexer nas novas tecnologias. E o que é pior: não sei mexer e ainda por cima reluto em aprender a mexer.
Vamos começar assim: não estou no twitter. Aliás, detesto o nome twitter (me vem a imagem de alguém batendo dedos nervosos sobre uma mesa). Depois: não faço idéia de como organizar meus sites favoritos no de.li.ci.ou.s. Outro dia tive que apagar os endereços de internet do computador antigo e o que eu fiz? Copiei e colei TODOS os endereços numa página de Word (tem algo mais obsoleto do que página de Word?) Me tomou uma boa meia hora. Era o único jeito que eu sabia fazer.
Além disso, tenho pavor de atualizações. A todo o momento um programa pede para ser atualizado, caráleo. Cada mês, tchê? Precisa atualizar Cada-Santo-Mês? Sinto uma alegria mórbida quando vem uma mensagem do tipo: você deseja iniciar a atualização do programa X? Eu clico na opção: “não estou interessado”. Qual o problema do antigo? O Adobe é campeão dessas coisas. Odeio o Adobe também, aliás. Mais por demorar para abrir do que por não saber mexer – coisa que, tirando o abrir e salvar, também não sei fazer.
E tem outra (aquele que não para mais de praguejar contra a internet). Comunidade. Odeio comunidade. Me arrepio ao ouvir falar em comunidade. Tudo agora é comunidade, cacete?! Agora que fecharam a Last FM, um site de música que eu passava o dia inteiro ouvindo, tentei achar um substituto. E todos os outros sites de rádio possuem interfaces bizarras perguntando se tu quer dividir tuas escolhas com outros membros da ‘comunidade’, se tu quer ouvir o que os outros membros da 'comunidade' estão ouvindo. Que comunidade? Helo-ou!? Comunidade de cu é rola.
Sim, é claro que eu tenho MSN, tenho orkut e tenho e-mail. Mas a página inicial do Hotmail já anda se assanhando – esses veio com uma lista de nomes de pessoas tinham mudado a foto do perfil. E eu perguntei? E eu quero saber que foto meus amigos estão usando no MSN? Não sendo pornô, tá valendo – afinal, preciso abri-lo no meu trabalho. Tentei entrar no Facebook há alguns meses e achei um horror de difícil. Me confudi inteiramente sobre como funciona, tive preguiça de ler instruções, então fechei a janela e nunca mais voltei.
Em resumo: me fodi. Daqui a cinco anos, só conseguirei me comunicar com pássaros e quadrúpedes – que, como eu, serão os únicos a não saber dominar as tecnologias.
Sunday, June 7
Juli e a calçada
Combinei de encontrar Lucio e uma amiga na Vila Madalena no sábado à noite. Enquanto não chegavam, fiquei esperando na frente de um bar. Saíram de lá três guris carregando uma amiga über bêbada. Colocaram a loira (bonita, mas não exatamente gostosa) na calçada.
- Senta aqui, Juli. Toma um ar.
("tomar", como dava para perceber, era uma das melhores habilidades da moçoila)
Juli, mais pra lá do que pra cá, se manifesta:
- Cadê o Godolfo?
("Godolfo". Adoro!!)
- Eu quego o Godolfo!!
- A gente vai te levar pro Rodolfo. Calma.
- Não!! Eu vou sozinha, de metgô!!
(incrível como todo bêbado se torna auto-suficiente)
- Juli, agora é tarde. O metrô tá fechado.
(Eram dez da noite. Óbeveo que o metrô tava aberto. Mas amigos de bêbado precisam contar esse tipo de mentira branca, para o bem da pessoa. Super não é pecado, viu?)
- Juli, coloca o casaco que você tá gelada. Acorda, Juli. Acorda!
(medo! A loira estava desmaiando)
- Cara, ela tá gelada. Juli, acorda e bota esse casaco! Precisa ficar quentinha pra quando encontrar o Rodolfo.
("estar quentinha" como em "estar viva", né? Seria bem legal se ela não desencarnasse ali na minha frente)
Juli por fim acorda. Bota o casaco nas costas.
- Isso, Juli. Te esquenta. O Rodolfo gosta de você quentinha, né?
(ok, todos entendemos. Não precisa declamar um conto pornô tendo Juli e Godolfo como protagonistas)
Chega um dos amigos trazendo uma água.
- Juli, bebe isso.
- Cara, ela vai "gorfar" se tomar isso aqui.
("Gorfar". Nada como aprender gírias novas na rua. Queria uma caneta para anotar o novo verbo. Será que já vem com as novas regras aplicadas?)
- Cara, ela só vai melhorar se "gorfar", saca?
(sacamos. Mas eu queria saber mesmo é se o verbo que usavam seria "golfar", mas com sotaque caipira)
- Não chora, Juli. Por que você tá chorando, Juli??
(porque todo bêbado, além de auto-suficiente, torna-se também uma pessoa muy sensível, tive vontade de explicar. Mas, diante do drama de Juli, eu era um ser praticamente invisível)
Juli responde por que chora:
- Eu quego o Godolfo, cagalho!
A contra gosto, tomou uns goles da garrafinha de água, enquanto os amigos cochichavam:
- A gente precisa sair daqui, meu!
- Meu pai tá chegando para levar todo mundo embora, cara. Fica frio.
(isso. Fica frio para fazer par com a Juli)
Juli ensaia querer se levantar. Os amigos ajudam. Mas ela cai de novo ao chão e lá fica. Senta-se. Abre bem as pernas. Coloca a cabeça no meio delas. E assim, sentada na calçada, com a jaqueta pendurada nas costas e um amigo segurando seus cabelos, Juli GORFOU.
A pergunta que fica é: por onde andava Godolfo essa hora? Saí de lá com a impressão de que foi ele o motivo da bebedeira - e do gorfo.
- Senta aqui, Juli. Toma um ar.
("tomar", como dava para perceber, era uma das melhores habilidades da moçoila)
Juli, mais pra lá do que pra cá, se manifesta:
- Cadê o Godolfo?
("Godolfo". Adoro!!)
- Eu quego o Godolfo!!
- A gente vai te levar pro Rodolfo. Calma.
- Não!! Eu vou sozinha, de metgô!!
(incrível como todo bêbado se torna auto-suficiente)
- Juli, agora é tarde. O metrô tá fechado.
(Eram dez da noite. Óbeveo que o metrô tava aberto. Mas amigos de bêbado precisam contar esse tipo de mentira branca, para o bem da pessoa. Super não é pecado, viu?)
- Juli, coloca o casaco que você tá gelada. Acorda, Juli. Acorda!
(medo! A loira estava desmaiando)
- Cara, ela tá gelada. Juli, acorda e bota esse casaco! Precisa ficar quentinha pra quando encontrar o Rodolfo.
("estar quentinha" como em "estar viva", né? Seria bem legal se ela não desencarnasse ali na minha frente)
Juli por fim acorda. Bota o casaco nas costas.
- Isso, Juli. Te esquenta. O Rodolfo gosta de você quentinha, né?
(ok, todos entendemos. Não precisa declamar um conto pornô tendo Juli e Godolfo como protagonistas)
Chega um dos amigos trazendo uma água.
- Juli, bebe isso.
- Cara, ela vai "gorfar" se tomar isso aqui.
("Gorfar". Nada como aprender gírias novas na rua. Queria uma caneta para anotar o novo verbo. Será que já vem com as novas regras aplicadas?)
- Cara, ela só vai melhorar se "gorfar", saca?
(sacamos. Mas eu queria saber mesmo é se o verbo que usavam seria "golfar", mas com sotaque caipira)
- Não chora, Juli. Por que você tá chorando, Juli??
(porque todo bêbado, além de auto-suficiente, torna-se também uma pessoa muy sensível, tive vontade de explicar. Mas, diante do drama de Juli, eu era um ser praticamente invisível)
Juli responde por que chora:
- Eu quego o Godolfo, cagalho!
A contra gosto, tomou uns goles da garrafinha de água, enquanto os amigos cochichavam:
- A gente precisa sair daqui, meu!
- Meu pai tá chegando para levar todo mundo embora, cara. Fica frio.
(isso. Fica frio para fazer par com a Juli)
Juli ensaia querer se levantar. Os amigos ajudam. Mas ela cai de novo ao chão e lá fica. Senta-se. Abre bem as pernas. Coloca a cabeça no meio delas. E assim, sentada na calçada, com a jaqueta pendurada nas costas e um amigo segurando seus cabelos, Juli GORFOU.
A pergunta que fica é: por onde andava Godolfo essa hora? Saí de lá com a impressão de que foi ele o motivo da bebedeira - e do gorfo.
Tuesday, June 2
Jogo
Beta, minha roomie e parceira no crime, teve uma excelente ideia no trabalho. Por que você sabe, né?, que somos William Bonner e Fátima Bernardes. Tipo, trabalhamos na Globo e moramos juntos. Só não temos trigêmeos. Minha filha, Kate, da qual Beta é madrinha, eu tenho com a Ju, que também mora comigo. Sei que é difícil entender, mas enfim, toda uma nova configuração da família brasileira do século 21. Acostume-se. Logo apareceremos nas estatísticas do IBGE.
Então eu dizia que Beta, pessoa muy inventiva, teve uma ideia. Ao ver as fotos que tirei no supermercado dos Emirados Árabes, sugeriu fazermos um joguinho de adivinhação e publicar no site da revista. Super deu certo. Hoje entrou no ar. Quem lê meu blogue já teve uma palhinha, claro. Mas no site tem mais fotos e ficou bem mais interativo. Sobrou um tempo aí no trabalho e quer descontrair? Entra aqui. Quem disse que é impossível falar de economia e negócios sem ser lúdico?
Então eu dizia que Beta, pessoa muy inventiva, teve uma ideia. Ao ver as fotos que tirei no supermercado dos Emirados Árabes, sugeriu fazermos um joguinho de adivinhação e publicar no site da revista. Super deu certo. Hoje entrou no ar. Quem lê meu blogue já teve uma palhinha, claro. Mas no site tem mais fotos e ficou bem mais interativo. Sobrou um tempo aí no trabalho e quer descontrair? Entra aqui. Quem disse que é impossível falar de economia e negócios sem ser lúdico?
Nota sobre o acidente
Não sabemos ainda quais as causas do acidente com o avião da Air France. Mas desde já ele deixa uma lição para todas as companhias aéreas. Tirem de uma vez por todas das instruções de segurança aquela expressão pavorosa, mórbida e de muito mau gosto: "Em caso de pouso na água, use o seu assento para flutuação".
Porra, que merda?! Quem vai pegar um banco e sair flutuando pelo mar? Além de ser uma das frases mais tétricas inventadas pelo ser humano, ela também se revela a mais inútil.
****
E, em tempo: voar Air France é bem, bem bom. Disparado a melhor companhia que já voei. Eles servem sorvete Häagen-Dazs à vontade. Eu recomendo altamente. Porque se é para cair, que seja grudado a uma caneca de Häagen-Dazs - e não ao assento flutuante.
Porra, que merda?! Quem vai pegar um banco e sair flutuando pelo mar? Além de ser uma das frases mais tétricas inventadas pelo ser humano, ela também se revela a mais inútil.
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E, em tempo: voar Air France é bem, bem bom. Disparado a melhor companhia que já voei. Eles servem sorvete Häagen-Dazs à vontade. Eu recomendo altamente. Porque se é para cair, que seja grudado a uma caneca de Häagen-Dazs - e não ao assento flutuante.
Thursday, May 28
Coisa do nome?
Eu conhecia quatro pessoas chamadas Félix. Hoje conheci um quinto.
E todos os cinco são carecas.
E todos os cinco são carecas.
Wednesday, May 27
Chances
Vi nosso editor-executivo às voltas com um rapaz alto, moreno, meio-jovem e bem-vestido. Meu chefe apresentava: “Essa é a redação. Essa é minha equipe. Aquela ali é a Alexa, aquele ali o Marcos” [também conhecido como o autista que só escreve com fones de ouvido e não dá bola para visitas].
No dia seguinte, na hora do almoço, o chefe nos contou a história. Aquele rapaz é jornalista. Formou-se numa daquelas faculdades particulares em que você dá uma piscadela e passa no vestibular na mesma hora. Só conseguiu estudar porque pleiteou um emprego na própria faculdade e, sendo funcinário, ganhou uma bolsa. Fez de tudo naquele emprego: office boy, lavador, faxineiro, pedreiro. Aqui em São Paulo, diferente do sul, o estágio para estudantes de jornalismo é permitido. Mas o rapaz não podia fazer estágio porque para estudar ele dependia da bolsa, que por sua vez dependia do emprego de faz-tudo. Sentiu o drama? Há um ano o carinha se formou e, quando bate na porta para pedir emprego, perguntam que experiência ele tem. Nenhuma, né, porque a criatura passou a faculdade rebocando paredes e limpando banheiro.
Esse carinha chegou até aqui por meio de uma fonte. Marcou de vir conhecer porque queria saber como é uma redação. Nunca antes tinha pisado numa. Estava emocionado. Dizia que não queria se fazer de coitado e nem despertar pena, mas que queria muito fazer alguma coisa envolvendo jornalismo – nem que fosse trabalho de pesquisa, de office boy (de novo?!), qualquer coisa.
Pode ser que ele seja um excelente repórter. Ou não. Que tenha um excelente texto. Ou não. Mas tem que ter uma chance algum dia na vida, né? Até a não-bonita, mal-vestida e jamais-beijada Susan Boyle teve!
Seja o que for, vontade e obstinação ele demonstrou ter – e isso já é um bom começo.
Ganhou seu primeiro frila.
Eu, que fiz o papel de plateia desacreditada e blasé, agora torço para que nossa versão (masculina e brasileira) de Susan Boyle saia vitoriosa.
No dia seguinte, na hora do almoço, o chefe nos contou a história. Aquele rapaz é jornalista. Formou-se numa daquelas faculdades particulares em que você dá uma piscadela e passa no vestibular na mesma hora. Só conseguiu estudar porque pleiteou um emprego na própria faculdade e, sendo funcinário, ganhou uma bolsa. Fez de tudo naquele emprego: office boy, lavador, faxineiro, pedreiro. Aqui em São Paulo, diferente do sul, o estágio para estudantes de jornalismo é permitido. Mas o rapaz não podia fazer estágio porque para estudar ele dependia da bolsa, que por sua vez dependia do emprego de faz-tudo. Sentiu o drama? Há um ano o carinha se formou e, quando bate na porta para pedir emprego, perguntam que experiência ele tem. Nenhuma, né, porque a criatura passou a faculdade rebocando paredes e limpando banheiro.
Esse carinha chegou até aqui por meio de uma fonte. Marcou de vir conhecer porque queria saber como é uma redação. Nunca antes tinha pisado numa. Estava emocionado. Dizia que não queria se fazer de coitado e nem despertar pena, mas que queria muito fazer alguma coisa envolvendo jornalismo – nem que fosse trabalho de pesquisa, de office boy (de novo?!), qualquer coisa.
Pode ser que ele seja um excelente repórter. Ou não. Que tenha um excelente texto. Ou não. Mas tem que ter uma chance algum dia na vida, né? Até a não-bonita, mal-vestida e jamais-beijada Susan Boyle teve!
Seja o que for, vontade e obstinação ele demonstrou ter – e isso já é um bom começo.
Ganhou seu primeiro frila.
Eu, que fiz o papel de plateia desacreditada e blasé, agora torço para que nossa versão (masculina e brasileira) de Susan Boyle saia vitoriosa.
Sunday, May 24
Melhores frases do fim de semana
Na saída da pizzaria:
- O médico que fez minha avaliação física disse que hidroginástica é igual a canja: uma água morna cheia de galinha velha dentro.
****
Na fila da balada
Segurança: Pessoal já segurem a identidade em mãos para quando forem entrar!
Pessoa A: A humilhação não termina nunca mais. Temos que mostrar pra todo mundo que nascemos no mesmo ano que os pais dessas pessoas ao nosso redor.
****
Pessoa A: Depois da balada a gente vai naquela feira comer três pastéis cada.
Pessoa B: Nossa, como você é gorda!
Pessoa A: Gorda, não, gata. Sou bulímica. Vomito tudo depois.
- O médico que fez minha avaliação física disse que hidroginástica é igual a canja: uma água morna cheia de galinha velha dentro.
****
Na fila da balada
Segurança: Pessoal já segurem a identidade em mãos para quando forem entrar!
Pessoa A: A humilhação não termina nunca mais. Temos que mostrar pra todo mundo que nascemos no mesmo ano que os pais dessas pessoas ao nosso redor.
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Pessoa A: Depois da balada a gente vai naquela feira comer três pastéis cada.
Pessoa B: Nossa, como você é gorda!
Pessoa A: Gorda, não, gata. Sou bulímica. Vomito tudo depois.
Thursday, May 21
Junta-e-separa
A reforma ortográfica não para de me espantar. Laís, nossa revisora, acaba de me informar que “bem feito” passou a ser grafado junto e com “n”, resultando em “benfeito”.
Que reforma bem burra! (benburra?). Nenhum falante nativo jamais soube regras de hífen de cor (é, inclusive você que tem um texto bonitinho e bem escrito. Não sabe). Ao mexerem nelas, fizeram tudo para confundir – e não facilitar. Agora é que ninguém vai saber mesmo, com regras que trazem aberrações como benfeito (palavra que juntou) e micro-ondas (que separou no litigioso, com um hífen sapecado no meio).
Laís me conta também que em Portugal estão fazendo protestos e recolhendo assinaturas porque não querem aderir ao pacto nem a pau. Preferem continuar escrevendo contacto, facto e óptimo. Tomara que continuem e que a reforma se torne bem impopular. Benfeito para os reformistas que a inventaram.
Que reforma bem burra! (benburra?). Nenhum falante nativo jamais soube regras de hífen de cor (é, inclusive você que tem um texto bonitinho e bem escrito. Não sabe). Ao mexerem nelas, fizeram tudo para confundir – e não facilitar. Agora é que ninguém vai saber mesmo, com regras que trazem aberrações como benfeito (palavra que juntou) e micro-ondas (que separou no litigioso, com um hífen sapecado no meio).
Laís me conta também que em Portugal estão fazendo protestos e recolhendo assinaturas porque não querem aderir ao pacto nem a pau. Preferem continuar escrevendo contacto, facto e óptimo. Tomara que continuem e que a reforma se torne bem impopular. Benfeito para os reformistas que a inventaram.
Wednesday, May 20
Humor negro do professor de italiano
- Luigi, como se diz “tataravó” em italiano?
- Cinzas.
Deboche gratuito em plenas nove da manhã. Adoro. E incentivo.
- Cinzas.
Deboche gratuito em plenas nove da manhã. Adoro. E incentivo.
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